Não que eu goste, mas quando se trata de agradar a minha mãe num raro dia de folga meu, ir ao centro da capital paulistana em pleno feriado pode valer a pena.Confesso que pra mim é praticamente um castigo andar na Rua 25 de Março... sou totalmente contra os falsificados de todas as espécies e ainda ter que andar esbarrando em Deus e todo mundo, aquele cheiro de sabe-se-lá-o-que, e o barulho do fim do fundo que existe lá é quase enlouquecedor pra mim. Maaaaaas, não estava tão ruim assim da última vez, era feriado e a maioria das lojas estava fechada, portanto menos gente, e ainda pratiquei uma das minhas maiores diversões: combinar estampas e cores!
O que quero dizer é que vale a pena tirar um dia para passear por lá... mas não só na Twenty Five. Eu poderia escrever 50 vezes sobre o centro da capital, afinal ele é recheado de história. Sei que é recheado de outras coisas péssimas também, como os meninos de rua... na verdade não só meninos, mas mulheres, senhores e senhoras de idade, que além de partirem o coração, não nego, dão medo.
Antes de ir confira os horários no site para não perder viagem. Mas a dica é o domingo às 10 horas da manhã, quando há o Canto Gregoriano ao vivo.
Descendo o histórico e famoso (entre outros motivos por vender produtos eletrônicos a preços estranhamente baixos) Viaduto Santa Efigênia, topamos com a Igreja Santa Efigênia que foi até o ano de 1954 uma espécie de catedral provisória de São Paulo até que a Catedral da Sé ficasse pronta. Ela tem ar neoromântico com algo neogótico, com certeza inspirados nas catedrais medievais do norte da Europa. Pra mim o surpreendente dessas igrejas do centro é o choque entre a feiúra da rua no lado de fora pra atmosfera sagrada de dentro.
E já que falei só de igrejas, não posso deixar de falar da Catedral da Sé. Pra quem conhece um pouquinho de arquitetura sabe que é um templo neogótico e que por suas dimensões é a maior da cidade e está entre os 5 maiores templos góticos do mundo! Não consigo entrar lá e não olhar pra cima... e admirar aqueles arcos! Uma grande (literalmente falando) curiosidade é o órgão vindo da Itália que é o maior da América do Sul; outra que sempre me deixou intrigada desde que fui lá a primeira vez quando era criança é a Cripta, principalmente quando minha mãe falou “aqui tem gente enterrada”. Achei bizarro, e ainda acho, e o pior é que é verdade... isso fica bem de baixo do altar principal. E a outra curiosidade que também é bizarrinha, e achei engraçado, são as velas eletrônicas: você deposita uma moeda e de acordo com o valor é tempo que ela ficará acesa. Será que um centavo fica quanto tempo acesa? Na foto, a cripta e o velário.
Apenas lembrem-se de vestir uma roupa confortável e simples, sem bolsa e pouco dinheiro. É só ficar de olhos bem abertos e qualquer coisa recorra a um policial, das últimas vezes que andei por lá havia muitos, por toda parte. Ir na 25 de Março também pode ser cultura!
Por Ana Paula Bertarelli